Simondon e o construtivismo: uma contribuição recursiva à teoria da concretização

Scientiae Studia 13 (2):263-281 (2015)
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Abstract

ResumoEste artigo defende que a teoria da concretização de Gilbert Simondon é útil tanto para os estudos sobre ciência e tecnologia quanto para a teoria política. Por "concretização", Simondon compreende o processo de multiplicação de funções propiciadas pelas estruturas de um dispositivo. Ele oferece o exemplo do motor com resfriamento a ar, que combina resfriamento e contenção em uma única estrutura, a caixa do motor. A concretização contrasta com projetos "abstratos", que acrescentam estruturas para cada função, complicando o dispositivo e reduzindo sua eficiência. De acordo com Simondon, a evolução normal das tecnologias pode ser acompanhada através de suas sucessivas concretizações. O propósito deste artigo é concretizar em um único sistema de referência conceitual as noções funcionalmente distintas de "concretização" em Simondon e de "atores" nos ECT. Essa combinação tem aplicações políticas importantes. Ela mostra como demandas aparentemente contraditórias podem ser reconciliadas através de inovação. Por exemplo, diz-se frequentemente que acrescentar novas funções ambientais a tecnologias existentes implicará na troca da eficiência pela ideologia. Ao invés disso, o novo sistema de referência conceitual abre-nos uma perspectiva de transformação radical da tecnologia requerida pela modernização e sustentabilidade ecológicas. Ao fazer isso, ele sugere um modo de reconstruir a "crítica racional da razão" da Escola de Frankfurt e a noção de "racionalidade tecnológica" de Marcuse.This article argues that Gilbert Simondon's theory of concretization is useful for both science and technology studies and political theory. By "concretization" Simondon means the process of multiplying the functions served by the structures of a device. He gives the example of the air cooled engine which combines cooling and containment in a single structure, the engine case. Concretization contrasts with "abstract" designs that add structures for each function, complicating the device and reducing its efficiency. According to Simondon the normal evolution of technologies can be traced in successive concretizations. The aim of this paper is to concretize in a single conceptual framework the functionally distinct notions of "concretization" in Simondon and "actors" in STS. The combination has important political applications. It shows how apparently contradictory demands can be reconciled through innovation. For example, we are often told that adding new environmental functions to existing technologies will trade off ideology for efficiency. Instead, the new framework opens a perspective on the radical transformation of technology required by ecological modernization and sustainability. In so doing, it suggests a way of reconstructing the Frankfurt School's "rational critique of reason" and Marcuse's notion of "technological rationality"

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